Amigas,
amigos,
Lendo as
notícias acerca da última sessão do julgamento fico com a certeza que a grande
maioria dos jornalistas desconhece o que ali se está a discutir, e não
informaram de forma correta.
Sejamos
claros. O que está em causa é saber:
- Se a
escrita do meu livro “Maddie: A Verdade da Mentira” constituiu um acto lícito
ou ilícito;
- Se os
autores sofreram danos e se existem factos que os provem;
- Se é
possível estabelecer um nexo de causalidade entre o livro e tais danos.
É isto que
está em causa.
Quanto à
licitude do livro, sugiro a quem tenha dúvidas que leia o acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa no âmbito da providência cautelar que precedeu a acção em
causa. Na verdade, para os Ex.mos Senhores Desembargadores, como se pode
concluir dessa decisão, a licitude da publicação do livro é incontestável.
Quero com
isto dizer que, com esta comprovada licitude, o assunto deverá ficar por aqui,
sem necessidade de se averiguar mais nada, nomeadamente no que respeita aos
danos de que os autores se queixam.
Mas,
note-se, mesmo que tal licitude ainda possa estar em causa, haverá, ainda, que
estabelecer um nexo de causalidade entre a publicação e os danos de que os
autores se queixam, tais como depressões profundas, isolamento social, etc… E,
claro está, provar que tais danos, seja qual for a sua origem, existem de
facto.
Quanto à parte
social, parece-me óbvio, se atentarmos aos inúmeros eventos sociais em que os
autores têm participado, incluindo, pasme-se, discursos no próprio Parlamento
Britânico, entrevistas em programas como o Ophrah Winfrey, jantares de gala
como as mais ilustres personalidades, nomeadamente britânicas, entre muitos
outros, o dito afastamento social é totalmente falso.
Já quanto às
depressões, embora, de forma alguma se encontrem provadas no processo, a meu
ver, a verdade é que muito estranho seria se não existissem. O desaparecimento
de uma filha, esteja morta ou viva, tenha sido ou não raptada, não pode deixar
de originar enormes sequelas desse tipo. Muito estranho seria se tal não
acontecesse! Mas a este respeito já não digo nada, na medida em que os autores
parecem querer imputar-me a mim e ao meu livro todas as suas dores, como se o
referido desaparecimento, acrescido da sua constituição como arguidos e demais
circunstâncias que rodeiam o caso, só por si, não tivesse qualquer importância,
ou não fossem mais do que suficientes!
Infelizmente,
devido a manobras claramente dilatórias da parte dos autores, que obrigaram,
mais uma vez, ao adiamento da audiência, receio que o processo se arraste –
como eles claramente pretendem -, e não tenhamos sentença proximamente, como eu
gostaria e pela qual anseio. Ainda para mais quando se iniciaram já as férias
judiciais e, como a Ex.ma Sr.a Juiz bem explicou, com a entrada em vigor do
novo mapa judiciário, em 1 de Setembro, a morosidade processual irá agravar-se
consideravelmente.
Da minha
parte, porém, mantém-se inabalável a confiança na justiça portuguesa.
Resta-me
agradecer e reconhecer todo o apoio que tenho recebido, por parte de todos
aqueles que acreditam na justiça e na verdade, sem o qual não me teria sido
possível fazer face ao processo. Nem tampouco, levar-me a ponderar, como estou,
intentar um processo contra o casal McCann e outros, com vista a ser ressarcido
dos enormes prejuízos que já me causaram a todos os níveis, tais como morais,
profissionais e financeiros.
Vai sendo
tempo de reagir judicialmente contra todos aqueles que têm colocado em causa a
minha, privacidade, intimidade, liberdade de expressão, opinião e condições de
subsistência.
Tentaram
assassinar-me civilmente, mas, graças ao apoio e solidariedade de todos vós,
não conseguiram.
Muito
Obrigado,
Lisboa 21 de
Julho de 2014
Gonçalo Amaral






